Nome: José GERARDO Rogério
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São Gonçalo, 12 de novembro de 2016.
Boa noite para os meus amigos da querida Turma Mike. Hoje, foi mais um dia de muita alegria e felicidade na minha vida. Não bastassem as lembranças do encontro em Fortaleza, voltamos a reencontrar os amigos que moram aqui no Rio de Janeiro. Ainda tivemos a alegria de rever o Rosário, que mesmo em trabalho, nos brindou com a sua presença. O encontro se desenvolveu naquele climão ao qual vocês estão habituados: muita alegria, troca de gentilezas, palavras doces e, em alguns casos, até carícias. Mas tudo dentro da lei de atração e devoção de uma amizade construída há 40 anos. Desta vez, contamos com os já manjados, Daniel, Delfino, Menezes, Natal, Nonato Costa, Rocha, Rogério e Tenório. Os que vieram pela primeira vez foram: Aguiar, Jullys, Ocimar, Pereira e Rosário. Quando vamos chegando, quem está de fora pode não entender o nosso grupo, porque é uma enxurrada de abraços, pega-pega, aperta-aperta e às vezes, até selinho (beijos). A alegria é a mesma, independente de quem chega. Conversamos sobre assuntos diversos, desde atracação de navio até acasalamento de muriçoca. Resolvemos problemas do país de toda monta, opinamos até na eleição dos Estados Unidos, mesmo assim, com opiniões de todo tipo, saímos felizes, plenos de alegria por fazer parte desse grupo. Recordando o ano de 2015, quando ficou formatado melhor a ideia do encontro em Fortaleza, começamos a mensurar a grandeza desse encontro, e à medida que nos comprometemos e avançamos nas providências da logística para a realização do encontro, os nossos corações saltitavam, feito macaquinhos. Aí entra o grupo do WhatsApp, as lembranças perdidas, a busca pelo fanchone, digo, do amigo mais próximo na época de escola, causos inusitados, que são muitos. Quem ficou? Quem saiu? Onde está? É rico? É pobre? Isso tudo para ser esquecido e ganhar o rótulo principal: É da Mike, basta. É meu amigo, é da turma, é meu irmão e pronto. Esse foi, é será o sentimento de cada um de nós. Começamos então, a procurar os companheiros, num disse me disse, saudável foram aparecendo um a um no grupo. Tivemos muitas baixas no grupo por motivos diversos, teve telequete entre alguns, mas já superamos quase tudo, isso porque a voz da harmonia, da camaradagem da Caserna cala fundo nos nossos corações. Muitos celulares foram apreendidos pelas donas Marias e com razão, afinal de contas, o grupo é diverso, e surgiram alguns com gostos estranhos. Era de se esperar, afinal de contas somos: Cariocas, Baianos, Pernambucanos, Cearenses, Piauienses, Maranhenses, Paraenses, Amazonenses, Roraimense e Acreanos. Viva a diversidade do nosso povo e nós somos parte do País abençoado por Deus. E aí surgiu o site, que aliás, é consultado por todos e ainda recebemos o aviso cinco a oito vezes por dia: "VISITEM O SITE". No site, relacionamos as músicas da nossa época de escola, fotos nossas, nossos nomes e até dividimos em grupo, lembramos dos companheiros que partiram para o Mundo Maior, e as nossas famílias nos ensinaram a respeitar, e, por isso mesmo respeitamos e oramos pelos irmãos que não estão caminhando fisicamente conosco, mas nos acompanham em nossa salutar convivência, lá de onde estão. Teve postagem de todo tipo: correntes, autoajuda, mulher pelada, piadas, criança chorando, política, vergonha nacional, opiniões adversas, fotos nossas comendo, fazendo ginástica para engrossar as pernas, fotos dos grupos na escola, fotos nossas quando ainda tínhamos mais de 600 ossos num corpinho franzino, arrastando a cadelinha, tem também de agora, todos carecas, barrigudos, lindos, maravilhosos. Ahhh!!! Ía esquecendo, de vez em quando, postam um tá de Negão que se tornou sucesso garantido. Postamos fotos de comida, que seguramente daria para matar a fome da África por dois séculos. Foram tantos sucos, copos d’água que não caberiam no Rio Amazonas. Também lembramos dos professores, os mestres, que tanto nos ajudaram durante a nossa estada lá na Universidade de Marinharia do Nordeste (EAM-CE). Chegou setembro de 2015 e houve o encontro, correu tudo bem durante o evento, mas infelizmente, a esposa do nosso Natim nos deixou e ficamos cabisbaixos, mas estivemos sempre juntos. E sempre nos apoiaremos. Alguns amigos adoeceram e mais uma vez a solidariedade chegou e percebemos o esforço dos membros do grupo para apoiar. Companheiros visitando e até fazendo, às vezes de acompanhante para o doentinho. Aí está a força de um grupo. Um cuida do outro, fortalecendo o feixe de varas, porque ficará mais difícil de quebrar. Após esse encontro de 2015, com a desculpa de trazer a camiseta para alguns, fizemos um pequeno encontro aqui no Rio, contando com alguns companheiros que não se viam há 39 anos: Daniel, Júlio, Jullys, Misael, Nonato Costa, Paulo Tavares, Rocha, Rogério e Tenório. (Feira dos Paraíbas). A Comissão de Festas começou a organizar o encontro dos 40 anos da Turma Mike 76-77 (EAM-CE). Ficamos em polvorosa, divulgamos, depositamos a cota, éramos cobrados por nós mesmos para depositar logo a cota, etc. Quem está de fora, mais uma vez não entende. A preocupação era justamente por medo de não encontrar aquele amigo por lá. Enquanto isso, a cada reunião, avanço que a Comissão de Festas fazia, era motivo de comemoração e todos estávamos exultantes pela realização, que também é nossa. A vibração era de todos e deve ser assim. Somos todos realizados com a realização de um amigo. E assim foi indo avançando para a compra da passagem, a vistoria do veículo, check-in dos batons, anáguas e afins e pé na tábua rumo ao encontro. Começaram os consórcios: você fica com fulano, você com sicrano e foi se ajeitando de um jeito e de outro. Começamos a chegar, e logo, começamos a ver as postagens dos amigos com suas malas embarcando, outros amigos, já esperando o outro no aeroporto, tudo bem ajustado. Ai, começamos a entender porque é família Mike. Essas ações, nos faz diferentes. Nos faz crescer, nos faz iguais, onde reina a concórdia e a união. Na quinta-feira, quando se deu a chegada da maioria, foi um rebuliço, últimos ajustes, corre, corre, checa, checa para não pegar, afinal de contas éramos visitas e visitados. Tem gente da alta no grupo. E por que da alta? Porque amigo quer sempre agradar o seu par. Quer fazer o outro feliz. Quando começamos a nos encontrar. Alguns no aeroporto, outros nas casas de um colega. Mesmo fazendo comida para dois e a residência sendo invadida por mais de 25, houve alegria, satisfação de oferecer o melhor pedaço para quem chegou de supetão. Não tem como não acreditar numa amizade dessas. Com a barriguinha cheinha, pezinho no caminho. Fomos passear pela cidade. Alguns de nós entramos em veículos que até o nome é difícil de falar, mas os donos nem aí para a nossa abirobação, matutice. Passeamos, visitamos outros amigos e aí foi só esperar com muita ansiedade o soar da alvorada do dia 16 para nos dirigir à nossa Santa Escola. Coração na mão, feito 40 anos atrás quando lá chegamos pela primeira vez. Alegria, júbilo, gratidão. Mais encontros, mais calor humano, mais contato humano, lembranças devassadoras, lágrimas, palpitar acelerado, enfim, nos contivemos. Recebemos a camiseta, o boné, e foi bom, né? Voltamos mais uma vez ao início, a uniformização física, porque os nossos pensamentos já estavam uníssonos. Alguns adentraram o auditório, ainda sem entender muito bem, o porquê daquele jeito diferentão de abraçar e logo depois dizia, sou fulano. Segura, que eu quero ver? E foi assim, ou por outra, fulano que bom te ver por aqui. Essa era a tônica, procurados, achados e abraçados. Beijados de vez em quando. Professor Elói à postos, Capelão, Cerimonial, como diz o figurino Naval. Tudo nos conformes. Com o olhar arregalado, perplexo e lá do peito a emoção a nos invadir, pensamentos procurando entender. Ai mais um tapinha e um abraço de boas-vindas. Emoção tomava conta. Vendo tantos rostos de meninos, agora transformados em homens meninos, desarmados de quaisquer vaidades, prontos para receberem e doarem amor fraterno, verdadeiro por aqueles companheiros que desenvolveram qualidades diversas e agora, calejados pela vida, valorizam tudo isso. Começando o cerimonial com o Hino Nacional, o nosso lindo Hino. Não queria dizer, mas desmontamos de tanta emoção. Cantamos firmes, mas os olhos rasos d’água nos entregavam. Quem liga? Estávamos felizes, muito felizes. O WhatsApp, recebia mensagem, mas quem via? Eram os amigos que não puderam ir, e bem de longe, participavam conosco. Era querendo que desse tudo certo. E deu. Houve culto ecumênico e ai a Comissão de Festas aprontou mais uma em combinação com o professor Elói, cantamos a canção do Marinheiro. Tem gente chorando até hoje. Foi demais. Após a cerimônia, ganhamos as dependências da Escola. Fizemos fotos, selfie e individuais. Vimos o desespero dos organizadores para nos conter e, mais uma vez nos sentimos como na época que fugíamos dos monitores. Visitamos as tecnologias que a escola oferece. Foram feitas apresentações em algumas salas de aulas, onde foram destacados alguns talentos nossos, como desenhos nos quadros, destacou-se que no funil da vida, alguns chegaram ao oficialato, como forma de incentivar os jovens. Chegamos a visitar a sala onde passamos 14 meses aprendendo a ser um pouco melhor, onde conhecemos professores formidáveis e colegas valorosos, inteligentes. Após o encerramento da cerimônia, nos dirigimos para o clube, em Icaraí, onde aconteceria o encontro. À medida que chegávamos, apareciam outros companheiros e familiares e só aumentava a emoção. Passamos a participar desse encontro que se realizou sobre a paz e harmonia. Rimos muito, conversamos e conhecemos ainda melhor, aqueles com quem conversamos por mais tempo. Foram insuficientes os três dias para nós. Não tivemos tempo hábil para falar com todos, mas foi gratificante saber que para onde nos virássemos, teria um companheiro a sorrir para nós. Cantamos, falamos, dançamos e participamos do encontro felizes, radiantes. Quando, no domingo, chegou o nosso Lampião (Hélio), a alegria foi geral, nos aproximamos dele e o abraçamos com muito carinho, pois queríamos dizer que ele é nosso amigo. Os professores Elói e Arimatéia, estiveram presentes valorizando o nosso encontro. Tiramos fotos em grupo e individual. Alguns queriam invadir o grupo do outro, só para estar junto. Os Madeira de Sobral, compareceram com força total. O povo do Cariri e do Sertão também se fizeram presentes. Lá pro meio dia, já começava a angústia, aproximava-se o fim do encontro. E as horas iam passando e a saudade aumentando, porque sabíamos da separação próxima. Alguns saindo, se despedindo e palavras de incentivo para a volta em 2017. Diante de tudo isso, exposto, quero agradecer a cada amigo da turma Mike. Agradecemos à Comissão de Festas pelo esforço. Reconhecemos a dificuldade de realizar um evento tão complexo como esse. Precisa de muita luta, união e espírito de equipe e vontade para fazer funcionar, engrenagem tão complicada. Quero valorizar o esforço de cada um que deu a sua cota de colaboração. São as pequenas tarefas somadas que trazem o resultado alcançado. Queremos exaltar o que foi bom. E, esse encontro será inesquecível para nós. Nos sentimos à vontade, valorizados como verdadeiros amigos, onde a igualdade foi o legado que ficou para essa turma, homens guerreiros que sabem valorizar a amizade, a pessoa humana. Beijos...
Um abração fraterno, Gerardo Rogério (AM 132)
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